ão há escolha mais certeira do que buscar um especialista para acompanhar a saúde geral. Assim, também é interessante buscar um especialista para checar a saúde bucal. No caso de
pacientes com mais de 60 anos, é interessante buscar um
odontogeriatra, profissional que tem como objetivo a integração social, psicológica, funcional e preventiva
de doenças bucais que podem aumentar os riscos de doenças sistêmicas em idosos.
De acordo com Mario Vitor Andrade, odontologista da Sorridents Clínicas Odontológicas, a
grande maioria dos idosos, hoje, mesmo aqueles que apresentam doenças sistêmicas como osteoporose, artrite, artrose, diabetes, problemas cardiovasculares e endócrinos, além de doenças crônicas neurodegenerativas como mal de Alzheimer ou doença de Parkinson, estão
retendo os dentes e necessitam de cuidados especiais e de profissionais especializados para lidar com essas doenças.
Na terceira idade, cáries e problemas com a raiz dos dentes são bastante comuns. Para que tais problemas não prejudiquem a saúde bucal, é importante manter o
hábito da higienização pelo menos três vezes por dia. “Costumamos indicar a escovação com creme dental com flúor, além do uso do fio dental, antes ou após a escovação. Visitar o dentista com regularidade também funciona como uma garantia de que os processos sejam realizados de maneira correta”, explica o profissional.
Segundo Andrade, a sensibilidade nos dentes é outro problema que pode se
agravar com a idade. O especialista explica que com o passar do tempo é normal haver
retração gengival, que expõe áreas do dente que não estão protegidas pelo esmalte. Estas áreas podem se apresentar particularmente doloridas quando atingidas por
bebidas e alimentos quentes ou frios. Nos casos mais severos, pode ocorrer sensibilidade com relação ao ar frio e a alimentos e líquidos doces ou amargos. “Se seus dentes estiverem muito sensíveis, tente usar um creme dental apropriado. Se o problema persistir, consulte o dentista já que esta sensibilidade pode indicar a existência de um problema mais sério, como, por exemplo, cárie ou dente fraturado”, conta.
De acordo com o profissional, outra queixa bastante comum entre idosos é a boca seca. Este problema pode ser causado por medicamentos ou por distúrbios da saúde e quando não tratado pode causar danos aos dentes. Andrade explica que existem diferentes tratamentos para manter a boca mais úmida e recomenda uma visita ao profissional de sua confiança para avaliar o método mais indicado para cada caso.
A gengivite é outro problema que afeta pessoas de todas as idades e que pode se tornar muito sério, especialmente em pessoas com idade
acima dos 40 anos. Vários fatores podem agravar a gengivite, inclusive:
1. Má alimentação; 2. Higiene bucal inadequada; 3. Doenças sistêmicas, como a diabete, enfermidades cardíacas e câncer; 4. Fatores ambientais, tais como o estresse e o fumo; 5. Certos medicamentos que podem influenciar os problemas gengivais.
Para os pacientes que fazem uso de prótese bucal total ou parcial, é interessante fornecer algumas indicações mais específicas. “É importante que as instruções passadas pelo odontologista sejam seguidas rigorosamente e, caso ocorra qualquer problema, uma consulta seja agendada”, afirma. Os portadores de
dentaduras definitivas devem fazer um exame bucal geral pelo menos uma vez por ano.
Enfermidades preexistentes, como diabete, problemas cardíacos ou câncer também podem afetar a saúde bucal. “Converse com seu dentista sobre quaisquer problemas de saúde existente para que ele possa ter uma visão completa da situação e para que possa ajudar você de forma mais específica”, explica Andrade.
A freqüência das consultas dos pacientes da terceira idade é a mesma indicada aos pacientes mais novos. “Exceto para o caso de pacientes portadores de doença periodontal ou algum tratamento especial que necessite de acompanhamento em períodos de tempo mais curto”, conta o profissional.
Andrade indica que os pacientes, tanto aqueles que possuem arcada completa, quanto os que não têm todos os elementos dentários, utilizem
escovas macias. “É importante lembrar que o prazo de validade da escova é de um mês, em média”, diz. Vale lembrar também que a
língua também deve ser escovada.
Para pacientes portadores de próteses totais (dentadura) ou próteses removíveis, é recomendada a utilização de
escova de unha e detergente neutro. “Se o paciente que não possui a arcada dental completa utilizar a escova dental convencional, não conseguirá uma perfeita higienização além do fato de estragar a escova com mais rapidez”, explica o profissional. “Vale esclarecer também que o uso do creme dental provoca danos à estrutura de resina da prótese, tornando-a sem brilho e porosa, o que facilita o acúmulo de bactérias. O detergente neutro não possui abrasivo e não deixa cheiro. Recomendo a escovação da prótese toda vez que for necessário, lembrando sempre de colocar uma toalha na pia para evitar possíveis quedas, o que danificaria o material”, orienta Andrade.
O odontologista afirma também que o paciente portador de prótese deve dormir sem as mesmas, para que os tecidos de suporte “descansem” durante a noite. O mais indicado, de acordo com o profissional, é que a prótese seja removida e colocada em um recipiente adequado com umidade.
“Observados todos esses cuidados e realizando visitas periódicas (a cada seis meses) ao dentista, ou sempre que notar qualquer sintoma ou sinal diferente na boca, o paciente,
especialmente o da terceira idade, garante uma boa saúde bucal e o conforto durante o dia-a-dia”, finaliza o especialista.